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O perdão cura. E a música também. Oasis: Don’t Look Back in Anger estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 10 de setembro, e acompanha de perto um dos retornos mais improváveis e aguardados da história recente do rock: a reunião de Liam e Noel Gallagher depois de 15 anos separados.
O documentário é dirigido por Dylan Southern e Will Lovelace, dupla responsável por produções musicais como Shut Up and Play the Hits e Meet Me in the Bathroom, e tem produção de Steven Knight, criador de Peaky Blinders. O longa segue a turnê Oasis Live ’25, passando pelos ensaios, bastidores, primeiros shows e pela reação dos fãs ao redor do mundo. Mas, mais do que registrar simplesmente a volta da banda aos palcos, o filme tenta mostrar o tamanho que esse reencontro ganhou para quem continuou ouvindo Oasis durante todo esse tempo. A 89 assistiu ao filme com antecedência, e te conta tudo sobre esse registro histórico.
Don’t Look Back in Anger se mostra muito mais do que um filme-concerto ou bastidores curiosos de um dos reencontros mais aguardados dentro da história da música. O documentário foi pensado, acima de tudo, para quem esperou religiosamente por esse momento. Para quem cresceu ouvindo Oasis, para quem atravessou os 15 anos de separação de Liam e Noel Gallagher e para quem nunca abandonou completamente a esperança de ver os dois novamente dividindo o mesmo palco. E até para quem chegou agora.
Uma das decisões mais interessantes do documentário é não transformar essa volta em mais um capítulo da velha discussão sobre qual dos irmãos estava certo. O filme não está interessado em reabrir as brigas, revisitar cada entrevista atravessada ou finalmente revelar quem pediu desculpas para quem, ainda que navegue um pouco pelo tema para relembrar tempos sombrios que impactaram vida de milhões de fãs, que hoje, vivem tranquilamente. Quem entra na sala esperando descobrir exatamente o que aconteceu nos bastidores para Liam e Noel se reconciliarem provavelmente não vai encontrar essa resposta. Mas isso parece ser totalmente intencional.
A ideia é mostrar que, depois de tudo que aconteceu, talvez descobrir quem venceu aquela discussão já não tenha tanta importância. O centro da história está na reconciliação e, principalmente, no tamanho que o Oasis ganhou na vida das pessoas enquanto a própria banda estava separada. E é aí que o público deixa de ser apenas plateia e praticamente vira o grande protagonista do filme. Ao acompanhar a turnê de retorno de 2025, o documentário não mostra apenas o que acontecia no palco ou nos bastidores. A câmera também olha para as arquibancadas, mostra fãs chorando, pessoas se abraçando, pais levando os filhos, jovens que nem tinham nascido quando o Oasis acabou e gente de diferentes partes do mundo tentando explicar por que aquelas músicas ainda significam tanto. Isso muda completamente a dimensão daquela turnê.
Todo mundo viu os vídeos nas redes sociais, os estádios cantando juntos e as imagens gigantescas dos shows. Mas dentro de uma sala de cinema, tudo isso ganha outro peso, é realmente arrepiante! É o momento perfeito que filme consegue explicar melhor a importância cultural do Oasis, sem precisar usar seus números de vendas ou quantidade de matérias publicadas em seus nomes. Não é preciso parar a narrativa para dizer o tempo inteiro que a banda é relevante, basta olhar para milhares de pessoas cantando a mesma música para entender.
Quando o foco volta para Liam e Noel, aparecem alguns dos momentos mais interessantes. Tem o primeiro ensaio juntos depois de 15 anos, o desconforto inicial, a dúvida sobre se aquilo realmente funcionaria, a preparação para o primeiro show e uma relação claramente diferente daquela vista durante tantos anos de conflitos públicos. Também surgem momentos mais pessoais, como a reação dos irmãos à morte de Mani, dos Stone Roses. São cenas que diminuem um pouco a escala absurda da reunião e lembram que, por trás daquele evento gigantesco, existem duas pessoas tentando aprender novamente a dividir o mesmo espaço. Uma das coisas mais bonitas seja perceber que nem eles parecem ter entendido completamente o tamanho daquela volta antes da turnê começar. Noel aparece realmente emocionado com a reação do público em alguns momentos. Liam continua com a personalidade que todo mundo conhece, mas também existe uma percepção diferente sobre o peso do Oasis hoje, há uma maturidade emocional estampada, e uma gratidão e choque no olhar de ambos.
Por um lado, o filme não tenta convencer ninguém de que os Gallagher viraram dois irmãos inseparáveis. Afinal, eles mesmos revelam que só voltaram a ter contato genuíno e frequente apenas no meio da turnê. O que o doc mostra é algo mais simples e talvez até mais interessante: depois de anos sem conseguir existir juntos, eles finalmente encontraram uma forma de fazer isso novamente.
Claro que também existe espaço para crítica. Don’t Look Back in Anger é um documentário bastante sentimental, para o lado da comoção. Ele evita os assuntos mais desconfortáveis, não mergulha profundamente na separação e não entrega nenhuma revelação bombástica sobre a reconciliação. Só que isso parece muito mais uma escolha de abordagem do que uma limitação, o filme simplesmente decidiu contar outra história, fazer do limão, uma limonada. Para entender como o Oasis começou, cresceu e virou um fenômeno, já existe Supersonic, documentário disponível na Netflix.
Esse novo olhar está interessado em outro momento da trajetória da banda, ele quer mostrar o que acontece quando um grupo que parecia definitivamente encerrado volta 15 anos depois e percebe que suas músicas nunca deixaram de existir para o público. Enquanto Liam e Noel estavam separados, as canções continuaram circulando, sendo ouvidas por quem já era fã e descobertas por quem chegou muito depois. E quando a banda finalmente retorna, existe quase um choque ao perceber que aquilo cresceu sem eles.
Por isso, para quem gosta de Oasis, o documentário é praticamente obrigatório, as ele também funciona para qualquer pessoa que tenha uma banda, um disco ou uma música ligada a uma parte importante da própria vida. No fundo, esse filme também é sobre isso. Sobre por que a gente cria uma ligação tão forte com música. Sobre como um show consegue reunir pessoas que nunca se viram antes. E sobre como algumas canções conseguem sobreviver até mesmo quando a própria banda deixa de existir.
No final das contas, Don’t Look Back in Anger não celebra somente o Oasis ter voltado, mas todas as pessoas que nunca deixaram de esperar por essa volta.
Como diria o próprio Liam Gallagher, f**king biblical, mate.
Oasis: Don’t Look Back in Anger estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira, 10 de setembro.
Fonte: 89fm